O começo de tudo

Quando contamos a história de Johnny Cash, geralmente começamos pelo ano de 1954, quando ele finalmente conseguiu uma audição na Sun Records. Ou então falamos de sua infância e a morte do irmão. Porém, muita coisa aconteceu entre esses dois fatos.

Depois de concluir o colegial, em 1950, Johnny se alistou na Força Aérea Americana, servindo a maior parte do tempo na Alemanha. Foi nessa época que ele comprou seu primeiro violão – como ele conta nessa entrevista.

Como todos sabem, foi lá que Johnny compôs “Folsom Prison Blues”. Porém, o que a maioria desconhece é que Cash formou uma banda, com seus colegas, nessa época.   Eles aproveitavam as noites de folga e tocavam em pequenos clubes noturnos próximos à base aérea. O grupo se chamava The Barbarians e foi a primeira experiência de Cash com uma banda, de fato.

Ao fim do serviço militar, Johnny Cash voltou para os EUA e se mudou para Memphis. Lá, ele dividia seu tempo entre o curso de locução de rádio e o trabalho como vendedor de porta-em-porta. Foi quando ele viu o desconhecido Elvis Presley gravando seu primeiro compacto “That’s All Right” / “Blue Moon of Kentucky”, em julho de 1954.

Mas a vida de Johnny iria mudar. Roy Cash, seu irmão mais velho, que trabalhava em uma concessionária da Chevrolet,  falou sobre dois colegas que estavam querendo montar uma banda. Foi quando Roy apresentou o irmão aos mecânicos Luther Monroe Perkins e Marshall Grant. Juntos, eles formariam o lendário Tennessee Three.

Os novos amigos começaram a se reunir na casa de Cash para ensaiar algumas canções gospel para festas da igreja. Nessas apresentações, o trio aparecia sempre vestindo preto – que eram as roupas mais baratas da época.

Paralelamente a tudo isso, Johnny batia sempre à porta da Sun Records suplicando por uma audição. Afinal, ele não queria tocar a vida inteira na igreja. O sonho daqueles músicos era poder um dia gravar uma canção de verdade. O que, até então, parecia cada dia mais difícil.

Com certeza, nenhum dos três imaginava naquela época como suas vidas seriam nos próximos meses. E, muito menos, nas próximas décadas. O Homem de Preto ainda não existia. Ele era apenas o jovem Johnny R. Cash.

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