Procura-se

Hoje vou falar de uma das músicas que mais gosto de ouvir na voz de Johnny Cash: “Wanted Man”. Embora não seja muito popular entre os fãs, trata-se de uma ótima canção do Homem de Preto. Além, é claro, de ter nascido de uma forma muito especial.

Tudo começou com o épico encontro entre Bob Dylan e o Homem de Preto, em fevereiro de 1969. em Nashville. Na ocasião, tocaram cerca de dezoito músicas juntos e “Girl From the North Country” acabou entrando no novo álbum de Dylan. Durante sua estadia na cidade, Bob escreveu “Wanted Man” para o amigo.

“Na semana passada, em Nashville, Bob Dylan, um dos melhores escritores… Bem, eu não preciso dizer que Bob Dylan é o maior escritor do nosso tempo. Ele estava na minha casa, nos sentamos e escrevemos uma música juntos”,disse Johnny Cash na época.

A letra fala de um homem procurado em diversos estados e cidades americanas, como California, Buffalo, Ohio, Mississipi, Colorado, El Paso, entre outros. Só não sabemos se ele é procurado pela polícia, por bandidos ou por mulheres. Já que há a citação de que Lucy Watson, Jeannie Brown e Nellie Johnson estavam atrás dele. A música tem uma levada sensacional, contagiante e é “a cara” de Cash!

“Wanted Man” foi lançada no álbum ao vivo At San Quentin e depois entrou na trilha sonora do filme “Little Fauss & Big Halsy”. Ela ainda voltaria a aparecer nos discos The Mystery of Life, de 1991 e, Wanted Man, de 1994.

Nos anos 2000, foram lançadas duas coletâneas que levam o nome da canção. Em 2002, tivemos Wanted Man: The Very Best of Johnny Cash (Columbia) e, seis anos depois, Wanted Man: The Johnny Cash Collection (Sony)

Com vocês, Johnny Cash cantando “Wanted Man”:

 

 

Merle Haggard

Hoje vou falar sobre outro grande músico que fez parte da vida de Johnny Cash: Merle Haggard, uma das lendas da música country.

Quando jovem, Merle sempre teve problemas com a polícia. Aos 14 anos, ele acabou preso por vadiagem e furto. Mas nada se compara ao que aconteceu em 1957. Após tentar roubar um bar, o jovem foi condenado a três anos na prisão estadual de San Quentin.

Entre as diversas experiências que Merle Haggard teve nesse período, uma delas foi musical. No Ano Novo de 1958, Merle pôde assistir de perto a um dos vários shows que Johnny Cash fez na penitenciária de San Quentin.

“Eu conheci Johnny em 1963, mas eu já tinha me impressionado com ele desde que eu o vi tocar na prisão de San Quentin, onde eu estava preso. Ele tinha perdido a voz na noite anterior, mas mesmo assim conseguiu ganhar todos os presos. Quando ele foi embora, todos nós nos tornamos fãs de Johnny Cash. Havia cinco mil detentos em San Quentin e cerca de 30 guitarristas, assim como eu”, disse Merle em entrevista à revista Rolling Stone.

Alguns anos depois, já livre, a carreira musical de Merle começou a decolar. Um certo dia, Johnny convidou o amigo para participar de um show que ele faria para a televisão. Enquanto discutiam sobre as músicas que iriam tocar juntos, o Homem de Preto disse: “Haggard, deixe-me dizer às pessoas que você já esteve na prisão. Vai ser a melhor coisa que vai acontecer na sua vida! Se você começar a dizer a verdade, os seus fãs nunca vão te esquecer”.

Merle, a princípio, foi contra. Ele tinha pavor de revelar seu passado. Para ele, ter sido um presidiário era algo muito vergonhoso. Porém, o cantor acabou seguindo o conselho de Cash  E, no fim das contas, Johnny estava realmente certo. Depois que o mundo soube sobre o passado de Merle Haggard, sua carreira “bombou”. Ele mesmo diz que esse episódio foi um divisor de águas para ele.

Confira, abaixo, um pouco da música de Merle Haggard:

 

 

My name is Sue!

“A Boy Named Sue” é, certamente, a música mais engraçada que Cash já gravou. Escrita por Shel Silverstein, ela faz parte do álbum At San Quentin, gravado na Prisão Estadual de San Quentin, em 24 de fevereiro de 1969.

Trata-se do maior sucesso comercial do Homem de Preto. Afinal, a música ficou por duas semanas seguidas em 2º lugar na Hot 100que é a principal parada musical da Billboard.

A canção narra a história de um rapaz que foi abandonado pelo pai, quando ainda era uma criança. O lado cômico de tudo isso é que a maior revolta do garoto é pelo fato do pai ter lhe dado o nome de “Sue” (tipicamente feminino). Irritado com o constrangimento que permanece por toda sua vida, ele jura que vai encontrar o pai e matá-lo!

De tanto procurar, Sue acaba achando o pai e parte para cima do velho com toda sua fúria.  Depois de muita luta e, com uma arma apontada para sua cabeça, o pai explica o verdadeiro motivo de ter dado aquele nome ao filho. Sabendo que ele não poderia criar o garoto, resolveu chamá-lo de Sue para se certificar de que ele cresceria forte e durão. O rapaz então percebe as boas intenções do pai, se emociona e acaba perdoando tudo.

A música termina com Sue prometendo que, se um dia tiver um filho, com certeza vai chamá-lo de… “Bill, George ou qualquer porcaria, mas Sue!? Eu ainda odeio aquele nome!”.

A BOY NAMED SUE

  • O termo “filho da puta” (“Eu sou o filho da puta que te deu o nome Sue!”) foi censurado na época. Cash precisou substituir a expressão pela palavra “maldito” para que a música pudesse ser executada nas rádios americanas;
  • Em um episódio de O Laboratório de Dexter, o vilão Mandark lembra que na infância seus pais o vestiam de menina e o chamavam de Sue (Susan).