At San Quentin

Mês passado, chegou em casa um caixa da Saraiva.com. Não me lembrava de nenhuma compra recente. Foi quando abri o pacote e me deparei com Johnny Cash At San Quentin.

O engraçado é que eu não esperava muita coisa desse álbum. Sempre tive para mim que nada poderia superar At Folsom Prison. Porém, eu estava enganado. Claro que o disco gravado na Prisão de Folsom é mitológico, emblemático e histórico, mas esse CD de capa azul é incrível, meus amigos.

Em 24 de fevereiro de 1969, Johnny Cash resolveu comemorar seu aniversário de uma forma diferente. Ele e sua banda foram até a Penitenciária de San Quentin, na Califórnia,  para gravar mais um álbum ao vivo. Uma equipe da emissora inglesa Granada Television acompanhou o show, que virou também um especial para a TV americana.

Cada música que o Homem de Preto tocava nesse dia parecia ganhar uma atmosfera mais visceral, mais animal. Johnny se deixou levar pelo clima eufórico dos detentos, o que transformou esse show em algo mais do que especial.

Quando Cash anunciou aos apenados que compusera alguns dias antes uma canção sobre o presídio (“San Quentin”), a casa veio a baixo! Tanto que o Homem de Preto teve que tocar a música duas vezes em seguida.

Mas, nada se compara à versão infernal de “Folsom Prison Blues” que Cash executou naquela noite. A música já era uma das mais famosas canções do Man in Black, mas da forma que foi cantada e tocada se tornou ainda melhor. Vimos ali, um ídolo possuído, inflamado e muito feliz. Por alguns minutos, Cash se colocou no lugar dos detentos. Durante aquela música, era Johnny que tinha atirado em um cara em Reno só para vê-lo morrer.

Assista ao clássico “Folsom Prison Blues” em San Quentin:

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