Um café, por favor

Imagine entrar em uma cafeteria e aproveitar a ocasião para comprar um CD do Johnny Cash. Pois isso já é possível nos Estados Unidos.

A Starbucks lançou, com exclusividade, o álbum Opus Collection em homenagem aos 80 anos do Man in Black. Trata-se de uma coletânea dos maiores sucessos do cantor, entre eles o dueto com Bob Dylan em “Girl From The North Country” e uma versão ao vivo de “Folsom Prison Blues”.

O álbum estreou muito bem nas paradas da Billboard, emplacando logo de cara a 6ª posição no Top Country Albums. O CD custa US$12,95 e é vendido apenas nas lojas da franquia.

Confira, abaixo, a relação das músicas que fazem parte do Opus Collection:

  1. The Long Black Veil
  2. (Ghost) Riders in the Sky
  3. Guess Things Happen That Way
  4. Ring of Fire
  5. I Still Miss Someone
  6. Orange Blossom Special
  7. Girl From The North Country – with Bob Dylan
  8. In the Jailhouse Now
  9. Jackson – with June Carter
  10. The Man On The Hill
  11. I Walk the Line
  12. It Ain’t Me Babe
  13. The Rebel – Johnny Yuma
  14. Get Rhythm
  15. 25 Minutes To Go
  16. Folsom Prison Blues (Live)

At San Quentin

Mês passado, chegou em casa um caixa da Saraiva.com. Não me lembrava de nenhuma compra recente. Foi quando abri o pacote e me deparei com Johnny Cash At San Quentin.

O engraçado é que eu não esperava muita coisa desse álbum. Sempre tive para mim que nada poderia superar At Folsom Prison. Porém, eu estava enganado. Claro que o disco gravado na Prisão de Folsom é mitológico, emblemático e histórico, mas esse CD de capa azul é incrível, meus amigos.

Em 24 de fevereiro de 1969, Johnny Cash resolveu comemorar seu aniversário de uma forma diferente. Ele e sua banda foram até a Penitenciária de San Quentin, na Califórnia,  para gravar mais um álbum ao vivo. Uma equipe da emissora inglesa Granada Television acompanhou o show, que virou também um especial para a TV americana.

Cada música que o Homem de Preto tocava nesse dia parecia ganhar uma atmosfera mais visceral, mais animal. Johnny se deixou levar pelo clima eufórico dos detentos, o que transformou esse show em algo mais do que especial.

Quando Cash anunciou aos apenados que compusera alguns dias antes uma canção sobre o presídio (“San Quentin”), a casa veio a baixo! Tanto que o Homem de Preto teve que tocar a música duas vezes em seguida.

Mas, nada se compara à versão infernal de “Folsom Prison Blues” que Cash executou naquela noite. A música já era uma das mais famosas canções do Man in Black, mas da forma que foi cantada e tocada se tornou ainda melhor. Vimos ali, um ídolo possuído, inflamado e muito feliz. Por alguns minutos, Cash se colocou no lugar dos detentos. Durante aquela música, era Johnny que tinha atirado em um cara em Reno só para vê-lo morrer.

Assista ao clássico “Folsom Prison Blues” em San Quentin:

The Man Comes Around

Há dez anos era lançado o álbum American IV: The Man Comes Around, quarto disco da série American. Produzido por Rick Rubin, este foi o último trabalho lançado por Cash em vida, sendo também o primeiro álbum a vender mais de 500 mil cópias em 30 anos.

Nesse novo disco, Johnny Cash regravou alguns de seus clássicos como “Give my Love to Rose” e “Desperado”, e fez covers de artistas como Beatles, Simon & Garfunkel, Sting, Hank Williams e Depeche Mode. Todas as versões ficaram excelentes. Mas nenhuma se compara a “Hurt”, escrita por Trent Reznor do Nine Inch Nails, em 1994.

Cash transformou a canção em um verdadeiro hino, tornando-se uma das músicas mais marcantes de sua carreira. A versão do Man in Black fez tanto sucesso que, posteriormente, em uma entrevista, Reznor disse que “havia perdido sua “namorada”, pois a canção não era mais dele.

O videoclipe de “Hurt”, uma verdadeira obra de arte, teve sete indicações no MTV Video Music Awards de 2003. Além disso, alguns anos depois, foi eleito pela revista britânica NME como o melhor clipe de todos os tempos.

Mas nem só de covers e regravações vive o ótimo álbum de Cash. “The Man Comes Around”, que dá nome ao disco, foi lançada neste álbum – sendo uma das últimas grandes composições do cantor.

A verdade é que o Homem de Preto conseguiu o feito de alcançar um sucesso absurdo, mesmo depois de quase 50 anos de carreira. Aquele senhor, que fez parte da história da música, voltava à cena como nunca se viu.

The Soul of Truth

A primeira resenha que fizemos foi sobre o disco de estreia de Johnny Cash, With His Hot Blue Guitar. Hoje, porém, parto para a outra ponta: seu mais recente lançamento, o álbum Bootleg Vol. IV: The Soul of Truth.

O disco faz parte da série de bootlegs que a Sony vem lançando para comemorar o 80º aniversário do Homem de Preto – sempre com raridades e versões pouco conhecidas. E em The Soul of Truth há ainda uma temática especial: a música gospel.

E se você ainda reluta contra a importância do gospel na carreira do Man in Black, saiba: “Se não fosse pela música gospel, não existiria um Johnny Cash”, afirma seu filho John Carter Cash logo no início do encarte.

O lançamento apresenta três álbuns raros na íntegra. São músicas que compreendem o período de 1975 a 1982. Temos 15 faixas inéditas, incluindo outtakes das sessões em que os álbuns foram gravados. Mas mesmo as músicas já gravadas anteriormente, soam como “novidades”.

Destaco as canções “Gospel Road”, “That´s Enought”, “This Train is Bound for Glory” (onde canta com June Carter), “I´m Just an Old Chunk of Coal” e, claro, “I Was There When It Happened”, em uma rara versão.


 This Train is Bound for Glory

That´s Enought

Gospel Road

I Was There When It Happened

Fã-clube

Precisamos reconhecer, Johnny Cash não é popular no Brasil. Sendo assim, não são tantos os fãs do cantor aqui no país do samba. Tanto que, ao que tudo indica, não existe nenhum fã-clube de Cash no Brasil.

Além disso, os fãs do Homem de Preto ainda sofrem um bocado para conseguir materiais oficiais do ídolo. E isso inclui álbuns, shows, entrevistas, documentários e biografias. Não há quase nada disponível no mercado nacional.

Mas, apesar de tudo isso, encontramos no orkut uma comunidade em homenagem a Johnny Cash com mais de 20 mil membros! Em Johnny Cash – Brasil, há links para download de músicas, informações e notícias sobre o Homem de Preto e os mais variados debates e discussões sobre o cantor norte-americano.

Como não podia ser diferente, o Senhor Cash resolveu entrevistar Wotson de Assis, de apenas 22 anos, que é o atual dono da comunidade. Confira!

Como você se tornou fã de Johnny Cash?

Em 2005, eu vi uma reportagem numa revista sobre o filme Johnny & June e fiquei com aquilo em mente. Mesmo assim, nunca me importei em ouvir as musicas de Cash. Porém, sempre que o via na televisão ficava impressionado. Então, em 2008, eu procurei saber mais dele. Pesquisei muito, baixei as musicas e procurei entender as letras para saber o que Cash queria transmitir nelas. Fui atrás também de alguns materiais e biografias. Pra mim fã é isso, é buscar saber sobre seu artista favorito, escutá-lo todo dia e ter a certeza que isso é o que você quer ouvir pro resto da sua vida.

De onde surgiu a ideia da comunidade?

Sou dono da comunidade há pouco mais de 4 meses. O antigo proprietário a cedeu pra mim, pois ele não era muito presente. Antes disso, eu sempre tentava mante-la “viva” postando, fazendo enquetes e perguntas. Foi aí que mudei a descrição da comunidade e assumi o comando. Uma coisa que sempre faço é mudar a foto – raras por sinal – da comunidade.

Na sua opinião, por quê não há quase nenhum material sobre Johnny Cash em português?

Cara, o recente estouro do Cash foi quando Johnny & June estreou nos cinemas e logo em seguida o álbum American V: Hundred Highways atingiu o topo da Billboard. O mundo vivia a febre do Johnny Cash novamente, a chamada Cashmania. O Brasil também estava incluso nisso, mas acontece que os brasileiros não gostavam de verdade do Cash. Era mais uma “modinha” de época. Por isso e outas questões o acervo em português do Cash é fraco. Recentemente, postei na comunidade uma notícia de que uma editora (Leya) vai traduzir sua autobiografia, o que já vai ajudar muito!

Onde você consegue boas informações sobre Cash?

Internet é a chave. Agora você tem que saber onde pesquisar. Entro muito em sites americanos e também mantenho contato com a familia e amigos do Cash,
pela internet, como sua filha Kathy Cash por exemplo. Assim, acabo ficando por dentro das últimas notícias.

O filho de Cash

John Carter Cash completa hoje 42 anos. Trata-se do único filho do casal Johnny e June. John é produtor musical e escritor. Sua mais recente obra é “House of Cash”, publicado no final de 2011 nos EUA. O livro conta com fotos inéditas, letras, anotações e lembranças do Homem de Preto. O foco da obra é a relação que John teve com seu pai: os ensinamentos que recebeu e as conversas que tiveram.

Antes disso, o filho de Cash já tinha publicado alguns livros infantis e também “Anchored in Love”, que homenageia sua mãe, revelando detalhes íntimos da vida de June Carter e também de seu relacionamento com Johnny Cash. Uma grande oportunidade do leitor conhecer a fundo quem foi June – que, embora sempre tenha ficado à sombra de Cash, foi importantíssima em sua vida.

Como produtor, John tem cinco Grammys. Começou com Passione On, de June Carter, em 1999. Depois, foi trabalhar com Rick Rubin produzindo dois CD´s da famosa série American: American III e American IV. Além disso, já produziu álbuns de Elvis Costello, Willie Nelson, Laura Cash, Sheryl Crow e diversos artistas country.

Mas o que quero destacar hoje é o John Carter Cash cantor. Em 2010, ele lançou The Family Secret. Ao contrário do que muitos possam imaginar, esse não é um autêntico álbum country. Há ecos de Pink Floyd, Led Zeppelin e até Metallica. Claro que você vai encontrar baladas e um pouco de pop, mas o rock é a principal influência de John nesse disco.

Confira as faixas de The Family Secret:

 

Versões

Quando o assunto são covers, lembramos logo das versões que Cash fez no final de sua carreira. Porém, há ótimas releituras que outros artistas fizeram das músicas do Man in Black.

Entre os álbuns-tributos e shows, o maior de todos aconteceu no ano em que Cash faleceu. Sheryl Crow, Steve Earle, Kid Rock, Ray Charles, Bono Vox, Hank Williams Jr., Willie Nelson, entre outros grandes artistas, se reuniram para cantar e homenagear o Homem de Preto.

Mas além deles, temos também outros artistas que gravaram em seus álbuns de carreira versões das músicas de Johnny Cash. Destaco aqui as regravações do Social Distortion, Live, Eddie Spaghetti (vocalista no Supersuckers),  Norah Jones, Mark Lenegan e da banda carioca Matanza.

Abaixo, posto algumas para vocês. Espero que gostem!