Rindo com Johnny Cash

O último 12 de setembro foi marcado pelos nove anos da morte de Johnny Cash. O portal Johnny Cash Online resolveu lembrar deste dia de uma forma diferente, resgatando o álbum Everybody Loves a Nut, de 1966. A capa é do cartunista da Revista Mad, Jack Davis.

Trata-se de um disco hilário do Homem de Preto. Para começar, reparem na tradução da  faixa-título “Everybody Loves a Nut”.

Todo mundo adora um “maluco”
O mundo inteiro ama um esquisitão 
Cérebros estão em um barranco, mas 
Todo mundo adora um “maluco” 

Houve um ermitão chamado Fred 
Que manteve um cavalo morto em sua caverna 
E todo mundo disse a Fred 
Fred, como é que você mantem um cavalo morto em sua caverna?

E ele disse, bem… Todo mundo adora um “maluco”

Outra que vale a pena ouvir é “The One On The Left Is On The Right”, escrita por Jack Clement, em 1965. A canção virou um clássico na voz do Homem de Preto e chegou a pontuar na segunda posição da Billboard.

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At San Quentin

Mês passado, chegou em casa um caixa da Saraiva.com. Não me lembrava de nenhuma compra recente. Foi quando abri o pacote e me deparei com Johnny Cash At San Quentin.

O engraçado é que eu não esperava muita coisa desse álbum. Sempre tive para mim que nada poderia superar At Folsom Prison. Porém, eu estava enganado. Claro que o disco gravado na Prisão de Folsom é mitológico, emblemático e histórico, mas esse CD de capa azul é incrível, meus amigos.

Em 24 de fevereiro de 1969, Johnny Cash resolveu comemorar seu aniversário de uma forma diferente. Ele e sua banda foram até a Penitenciária de San Quentin, na Califórnia,  para gravar mais um álbum ao vivo. Uma equipe da emissora inglesa Granada Television acompanhou o show, que virou também um especial para a TV americana.

Cada música que o Homem de Preto tocava nesse dia parecia ganhar uma atmosfera mais visceral, mais animal. Johnny se deixou levar pelo clima eufórico dos detentos, o que transformou esse show em algo mais do que especial.

Quando Cash anunciou aos apenados que compusera alguns dias antes uma canção sobre o presídio (“San Quentin”), a casa veio a baixo! Tanto que o Homem de Preto teve que tocar a música duas vezes em seguida.

Mas, nada se compara à versão infernal de “Folsom Prison Blues” que Cash executou naquela noite. A música já era uma das mais famosas canções do Man in Black, mas da forma que foi cantada e tocada se tornou ainda melhor. Vimos ali, um ídolo possuído, inflamado e muito feliz. Por alguns minutos, Cash se colocou no lugar dos detentos. Durante aquela música, era Johnny que tinha atirado em um cara em Reno só para vê-lo morrer.

Assista ao clássico “Folsom Prison Blues” em San Quentin:

The Man Comes Around

Há dez anos era lançado o álbum American IV: The Man Comes Around, quarto disco da série American. Produzido por Rick Rubin, este foi o último trabalho lançado por Cash em vida, sendo também o primeiro álbum a vender mais de 500 mil cópias em 30 anos.

Nesse novo disco, Johnny Cash regravou alguns de seus clássicos como “Give my Love to Rose” e “Desperado”, e fez covers de artistas como Beatles, Simon & Garfunkel, Sting, Hank Williams e Depeche Mode. Todas as versões ficaram excelentes. Mas nenhuma se compara a “Hurt”, escrita por Trent Reznor do Nine Inch Nails, em 1994.

Cash transformou a canção em um verdadeiro hino, tornando-se uma das músicas mais marcantes de sua carreira. A versão do Man in Black fez tanto sucesso que, posteriormente, em uma entrevista, Reznor disse que “havia perdido sua “namorada”, pois a canção não era mais dele.

O videoclipe de “Hurt”, uma verdadeira obra de arte, teve sete indicações no MTV Video Music Awards de 2003. Além disso, alguns anos depois, foi eleito pela revista britânica NME como o melhor clipe de todos os tempos.

Mas nem só de covers e regravações vive o ótimo álbum de Cash. “The Man Comes Around”, que dá nome ao disco, foi lançada neste álbum – sendo uma das últimas grandes composições do cantor.

A verdade é que o Homem de Preto conseguiu o feito de alcançar um sucesso absurdo, mesmo depois de quase 50 anos de carreira. Aquele senhor, que fez parte da história da música, voltava à cena como nunca se viu.

The Soul of Truth

A primeira resenha que fizemos foi sobre o disco de estreia de Johnny Cash, With His Hot Blue Guitar. Hoje, porém, parto para a outra ponta: seu mais recente lançamento, o álbum Bootleg Vol. IV: The Soul of Truth.

O disco faz parte da série de bootlegs que a Sony vem lançando para comemorar o 80º aniversário do Homem de Preto – sempre com raridades e versões pouco conhecidas. E em The Soul of Truth há ainda uma temática especial: a música gospel.

E se você ainda reluta contra a importância do gospel na carreira do Man in Black, saiba: “Se não fosse pela música gospel, não existiria um Johnny Cash”, afirma seu filho John Carter Cash logo no início do encarte.

O lançamento apresenta três álbuns raros na íntegra. São músicas que compreendem o período de 1975 a 1982. Temos 15 faixas inéditas, incluindo outtakes das sessões em que os álbuns foram gravados. Mas mesmo as músicas já gravadas anteriormente, soam como “novidades”.

Destaco as canções “Gospel Road”, “That´s Enought”, “This Train is Bound for Glory” (onde canta com June Carter), “I´m Just an Old Chunk of Coal” e, claro, “I Was There When It Happened”, em uma rara versão.


 This Train is Bound for Glory

That´s Enought

Gospel Road

I Was There When It Happened

Johnny Cash With His Hot and Blue Guitar

Para a nossa primeira resenha, nada melhor que o primeiro LP de Johnny Cash. O ano era o de 1957 e o Man in Black estreava com Johnny Cash With His Hot and Blue Guitar.

Como o álbum começou a ser gravado em 1954, podemos ver logo de cara três de seus maiores sucesssos: “Cry, Cry, Cry”, “I Walk the Line” e “Folsom Prison Blues” – que já tocavam bastante nas rádios. É o tipo de disco fundamental para quem é fã ou para quem quer começar a conhecer o trabalho de Cash.

Lançado pela Sun Records, o disco apresenta temáticas como prisões, trens, vida no campo, espiritualidade e amores fracassados. As músicas, como já se pode esperar, são muito frenéticas, com uma rapidez incrível, que nenhum cantor ou banda fazia na época, com uma grande influência do Rockabilly, além do Country em sí.

A maioria das faixas viriam a ser hit-singles, desbancando até artistas como Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, que também pertenciam a Sun Records. Graças ao sucesso desse álbum, Cash ganhou sua primeira grande turnê pelo país.

Os destaques, além das músicas já citadas, ficam com a balada “Country Boy”; os então B-sides “Hey Porter” e “Get Rhythm”, que aparecem neste disco como faixas-bônus; a gospel “I Was There When It Happened”, que a princípio, havia sido recusada por Sam Phillips; a excelente “Rock Island Line”; e “So Doggone Lonesome”, que também se tornaria um clássico do cantor. Ou seja, praticamente todas as músicas do álbum!